Cultura Ética



O conceito de opinião pública existe no Brasil desde o século XIX, época marcada por transformações que vão da Revolução da Independência à Revolução Republicana. Contudo só neste início de século, impulsionada pela redemocratização, é que a opinião pública como expressão da cidadania, vem ganhando importância e influencia.

Faço estas observações, a propósito dos pronunciamentos dos Ministros Márcio Thomaz Bastos e José Dirceu no Seminário Nacional Comércio Ilegal: Implicações e Alternativas, organizado pela Executiva Nacional do PT, com o apoio do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial - ETCO, realizado agora em Brasília. O Ministro da Justiça Thomaz Bastos lançou na ocasião a idéia do Sistema Nacional de Combate à Ilegalidade e Defesa da Ëtica Concorrencial. Objetivo: criar a cultura da legalidade nas relações do cidadão com o comércio.

A iniciativa que mereceu aplausos do Ministro José Dirceu, mais do que original, é indispensável. Poucos sabem, mas o comércio ilegal faz parte dos usos e costumes do país. Na Bahia do mesmo século XIX por exemplo, o dinheiro falso era tão abundante, que o comércio se recusava a aceitar qualquer tipo de dinheiro, fosse falso ou não. Na mesma época, na antiga capital da república, se traficava clandestinamente também, escravos, vinhos, sedas, ouro e whisky escocês. Com o passar do tempo, o que se viu foi a ilegalidade se transformar, como acontece hoje, num imenso estado paralelo.

O futuro Sistema Nacional a ser desenhado, toca justamente no elo forte e frágil da corrente: o cidadão. Se ele compra produtos ilegais, torna-se inevitavelmente o elo vulnerável. Se diz não, ganha dimensão de um elo de força definitiva, que rapidamente irá banir o comércio ilegal de cena.

Foi esta percepção - o papel decisivo do cidadão como protagonista e não mais como expectador - que fez do seminário Comércio Ilegal um acontecimento inédito. De um lado porque mais uma vez trouxe a público este tema candente da atualidade que hoje passou a fazer oficialmente parte da estratégia de modernização e desenvolvimento do País. De outro, porque está unindo Governo e cidadãos numa mesma plataforma.

Ao contrário do século XIX quando a opinião pública parecia pertencer a um País e a Coroa a outro, agora, sociedade e governo caminham juntos no inescapável cerco à ilegalidade.

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