A bola da vez



O grande mestre Norberto Bobbio partiu, mas suas lições permanecerão eternamente vivas. Nesse momento da vida brasileira, é impossível deixar de refletir sobre três temas essenciais, e interligados, do seu valioso legado que se estende por mais de meia centena de livros, algo como mil artigos e também a sua corajosa postura de homem de ação.

 

Vamos começar pela democracia. Para o filósofo, nada podia ser mais "subversivo" pela capacidade de transformação dos jogos de poder tradicional. Na juventude, no embate contra o fascismo de Mussolini, ele criou um partido para defender É fácil observar que o tema do combate à concorrência antiética ganha força no País.

 

No espaço de poucos meses os temas da sonegação, contrabando e adulteração de marcas, antes relegados ao noticiário policial ganhou a necessária dimensão política.

 

Na Casa Civil, o ministro José Dirceu não perde oportunidade de reafirmar o compromisso do Governo com o combate à ilegalidade. Os Ministérios da Economia, Justiça, Trabalho e Desenvolvimento seguem pelo mesmo caminho.

 

Nos Estados ganham forma as forças tarefas, hoje presentes em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e, também em Minas Gerais.

 

Breve, os municípios estarão agindo numa frente fundamental. Os pontos de vendas.

 

Tanto isso é verdade que nos dias 6 e 7 de outubro próximo estarão reunidos num seminário em Brasília 300 prefeitos petistas, de todo o País. O tema é exatamente este: as práticas ilegais de concorrência. Para discutir idéias e ações concretas estarão presentes dois ministros: José Dirceu, e Jacques Wagner, além dos Secretários de Defesa Econômica Daniel Goldberg e da Receita Federal Jorge Rachid.

 

O número e a representatividade dos participantes falam por si. São metáforas de que o degradado ambiente da concorrência anti-ética, com notórios vínculos com o crime organizado, está perdendo a guerra e que a sociedade caminha para encontrar soluções efetivas.

 

Em outras palavras, os dias de impunidade tendem a acabar. A concorrência ilegal é a bola da vez. Na Utopia, Thomas More, fala de um reino onde o governante no momento de pagar diminuía o valor da moeda. Quando cobrava, elevava os valores. A concorrência ilegal é como este governante sem ética de More. Nada oferece à sociedade e tudo quer receber.

É um fórmula que não engana mais ninguém. Prova disso é que a cada dia crescem as adesões em defesa da ética. O seminário de prefeitos organizados pelo Partido dos Trabalhadores não deixa margem à dúvidas. A bandeira da ética é de todos nós.

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